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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

CRENTES LINGUARUDOS

Por Adiel Teófilo.

Todo cristão sabe que deve ser prudente no falar, porém todos nós tropeçamos em muitas coisas, principalmente no uso da língua. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.” (Tiago 3.2). E nessa matéria, quem é perfeito? Quem é capaz de dominar a própria língua? A verdade é que, não raras vezes, falamos além da conta, dizemos o que não convém e o que não promove a edificação de quem ouve.  

Isso ocorre porque o  fato de alguém se tornar cristão não significa dizer que ganhou instantaneamente a virtude do domínio da língua. É preciso se exercitar na prudência e sobretudo aprender a se submeter ao domínio do Espírito Santo. Porque até mesmo entre cristãos se verifica a falta do amor fraternal, que é externado na maneira afável de falar e de tratar um ao outro. Esse mesmo problema ocorreu nas igrejas da Galácia: “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros.” (Gálatas 5.14-15).

Aquele que não consegue dominar a sua língua, acaba subjugando todo o seu corpo ao que diz. A Escritura nos mostra, de maneira ilustrada, a força desse domínio e os resultados que produz na vida do ser humano. Ensina-nos que o freio colocado na boca dos cavalos é capaz de dirigir todo o seu corpo; e as grandes embarcações, levadas por ventos impetuosos, são guiadas por um bem pequeno leme, virando-se para onde bem quer a vontade daquele que as governa. “Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.” (Tiago 3.3-6).

A Palavra de Deus nos mostra ainda, que as feras do campo, as aves, os repteis e os animais marinhos, são amansados e domados pelo ser humano, “mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.” (Tiago 3.8). Diante disso, a força suficiente para conter a língua e a habilidade necessária para o seu uso correto, somente são adquiridas mediante a ação controladora do Espírito Santo, quando humildemente nos submetemos à sua direção. Ele atua diretamente na natureza humana, fazendo cessar as “obras da carne” (Gálatas 5.19-21), e produzindo o fruto do Espírito, que nos capacita ao pleno exercício da virtude do “domínio próprio” (Gálatas 5.22).

Outra grande dificuldade que temos é de guardar segredo. Existem determinados assuntos que não devem ser revelados, pois nem todos têm maturidade para conhece-los ou não conseguem manter o sigilo. Há também assuntos que convém ser comentados somente em momento oportuno. Por essas e outras razões é que o domínio da língua torna-se indispensável na vida do cristão.

A Bíblia Sagrada contém relatos de personagens que não preservaram seus segredos, os quais sofreram com as consequências de suas atitudes. José contava a todos os seus irmãos tudo que sonhava, “por isso ainda mais o odiavam por seus sonhos e por suas palavras.” (Gênesis 37.8). Movidos por ódio e inveja, seus irmãos passaram a persegui-lo, chamando-o de “sonhador-mor”. Por fim conspiraram matá-lo, porém o venderam como escravo para mercadores ismaelitas, que o levaram para o Egito (Gênesis 37).
 
Outro personagem é Sansão, que não resistiu aos apelos de uma mulher e acabou revelando seu segredo. O Espírito do Senhor se apossava dele tão poderosamente e o dotava de grande força, tornando-o capaz de despedaçar um leão como se fosse um cabrito, sem ter nada nas mãos (Juízes 14.6). Sansão se afeiçoou a Dalila. Os príncipes dos filisteus ofereceram a ela uma boa soma em dinheiro para descobrir em que consistia aquela grande força e como poderia ser dominado. E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até a morte. E descobriu-lhe todo o seu coração...” (Juízes 16.16-17).
 
E assim, de posse do segredo, Dalila o fez dormir sobre os seus joelhos e mandou rapar-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça, retirando-se dele a sua força. “E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E despertou ele do seu sono, e disse: Sairei ainda esta vez como dantes, e me sacudirei. Porque ele não sabia que já o SENHOR se tinha retirado dele.” (Juízes 16.20). Desse modo, o entregou nas mãos dos filisteus, que lhe arrancaram os olhos e o amarraram com duas cadeias de bronze, fazendo-o girar um moinho no cárcere.
 
Temos ainda o caso de Ezequias, Rei de Judá. Ele adoeceu mortalmente, mas depois de orar, suplicar e chorar muitíssimo, o SENHOR o sarou. O rei de Babilônia, ao tomar conhecimento que ele tinha estado doente, enviou-lhe cartas e um presente. Ezequias recebeu com alegria os embaixadores “e lhes mostrou toda a casa de seu tesouro, a prata, o ouro, as especiarias e os melhores unguentos, e a sua casa de armas, e tudo quanto se achou nos seus tesouros; coisa nenhuma houve que não lhes mostrasse, nem em sua casa, nem em todo o seu domínio.” (II Reis 20.13 e II Crônicas 32.31).
 
E qual foi a consequência desse excesso de confiança? Assim sentenciou o SENHOR ao Rei Ezequias, por intermédio do Profeta Isaías: “Eis que vêm dias em que tudo quanto houver em tua casa, e o que entesouraram teus pais até ao dia de hoje, será levado a Babilônia; não ficará coisa alguma, disse o SENHOR.” (II Reis 20.17 e Isaías 39.6).
 
Portanto, precisamos aprender a guardar segredo, bem como falar apenas o que convém e na medida certa, para não sofrermos com as consequencias. E a melhor forma de desenvolver esse aprendizado é compartilhar nossos segredos com Deus, por meio da oração reservada, sem exibição pública, tal como nos ensinou Jesus Cristo: Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.” (Mateus 6.6). E assim, somente com a Graça de Cristo e o fruto do Espírito deixaremos de ser crentes linguarudos!