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domingo, 9 de junho de 2013

O PÚLPITO COMO O "TEATRO DAS VAIDADES"

Por Gutierres Fernandes Siqueira
No dia marcado, Herodes, vestindo seus trajes reais, sentou-se em seu trono e fez um discurso ao povo. Eles começaram a gritar: "É voz de deus, e não de homem". Visto que Herodes não glorificou a Deus, imediatamente um anjo do Senhor o feriu; e ele morreu comido por vermes. [Atos 12.21-23 NVI]
 
Na semana passada escrevi um texto sobre a não valorização da pregação nos meios pentecostais. Isso em si já é uma tragédia, mas o trágico sempre vem acompanhado de outros fatos igualmente lamentáveis. Ora, “um abismo chama outro abismo” [Salmo 42.7]. O descaso com a pregação vem casado com a teatralização das vaidades humanas. 
 
“Glória a Deus” ou glória ao pregador? Quem frequenta uma comunidade pentecostal sabe que uma das maiores preocupações dos pregadores “avivalistas” (conceito bizarro que atribui ao homem o poder de vivificação) é a igreja “glorificar a Deus”. É comum mandar que a igreja grite em alto e bom som um “glóóóória a Deus”!
 
Alguém pode dizer que isso é bom, pois quem em sã consciência pode falar que a exortação para adorar a Deus seja algo ruim? Mas não sejamos ingênuos. Muitos pregadores quando fazem essa exortação não estão realmente preocupados com a glória de Deus, mas sim com o efeito espetaculador da ministração. Ou seja, não “o glória a Deus”, mas sim o “glória a mim” que está em jogo. É a satisfação de ver o público da igreja recepcionar a mensagem de maneira acalorada.  
 
É um sentimento semelhante ao de Herodes. Com um discurso Herodes despertou no povo um sentimento de ouvir a voz de Deus e, vaidoso como era, Herodes ficou cheio de si e não glorificou a Deus de fato. A vaidade do pregador pode vir acompanhada de palavras religiosas. Assim como Herodes tomou a glória de Deus para si. Muitos pregadores encaram o “glória a Deus” como um elogio a si mesmo. É a “confirmação” que a pregação foi “abençoada”, pensam embriagados no ego.

Outra coisa. Que o Senhor nos livre da exortação vaidosa. Que o Senhor nos livre da vaidade do púlpito. É a vaidade que exorta com ar de superioridade. Há quem pregue dizendo que não é “como os demais pregadores porque fala simplesmente a verdade”. Ora, quem fala a verdade não precisa de autopropaganda. Quanta arrogância! Como atribuir a mim um título de arauto da verdade? Ora, sejamos mais pés no chão. Preguemos com a consciência que a verdade do Evangelho pode estar distante daquelas palavras ditas por mim mesmo. Sejamos conscientes que podemos ser canais de erros. 

Muitos pensam que a vaidade está nos pregadores eruditos. Ora, quem é verdadeiramente sábio agirá com sabedoria. Na minha experiência pessoal sempre vi que os maiores egos estavam justamente entre aqueles que diziam mover o céu. Que o Senhor nos livre dos “avivalistas” e derrame sobre nós um avivamento de fato. Falam que movem o céu e estremecem o inferno, mas é apenas o “eu” inchado. 
 
Que a nossa oração seja: “Senhor, livrai-me do erro, das palavras falsas, da exortação arrogante, das doutrinas frívolas e da vaidade do púlpito. Amém!”
 
Fonte: Blog Teologia Pentecostal