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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

EVANGELHO DE LEPROSOS

Existiu na Síria, entre 852 e 841 a.C., um herói de guerra chamado Naamã. Era capitão do exército real e bastante respeitado pelo rei, porém era leproso. Quando as tropas da Síria passaram pelo território de Israel levaram prisioneira uma menina, que passou a servir a mulher daquele capitão. Ao tomar conhecimento de que Naamã era leproso, a menina disse à sua senhora que em Samaria tinha um profeta que poderia curar aquela lepra, referindo-se a Eliseu.
 
Naamã ficou sabendo e informou ao rei o que a menina de Israel tinha falado. Acreditando na possibilidade de cura daquele capitão, o rei da Síria autorizou o seu deslocamento, enviando uma carta ao rei de Israel. Naamã aprontou sua comitiva e partiu no seu carro com cavalos, levando consigo dez talentos de prata e seis mil siclos de ouro (dinheiro usado na época), além de dez mudas de roupas.
 
Tão logo chegou a Israel, o capitão se apresentou ao rei e lhe entregou a carta enviada pelo rei da Síria, que dizia o seguinte: “Logo, em chegando a ti esta carta, saibas que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures da sua lepra”. Após a leitura, o rei de Israel rasgou as suas vestes em sinal de humilhação e temendo ser uma conspiração contra o seu reinado assim exclamou: “Sou eu Deus, para matar e para vivificar, para que este envie a mim um homem, para que eu o cure da sua lepra? Pelo que deveras notai, peço-vos, e vede que busca ocasião contra mim”.

Eliseu ficou ciente disso e mandou dizer ao rei que não se preocupasse e lhe enviasse Naamã, pois saberia que tinha profeta em Israel. E assim o capitão leproso foi até a casa do profeta e parou à porta. Ao perceber a chegada da comitiva, Eliseu enviou um mensageiro a Naamã, dizendo para que fosse até o rio Jordão e mergulhasse sete vezes, a fim de ser curado da sua lepra. O capitão Sírio ficou indignado com essa orientação, porque imaginava que o profeta seguiria um ritual: iria se por em pé diante de Naamã, invocaria o nome do Senhor Deus e colocaria a mão sobre as feridas, restaurando assim a sua saúde. Além disso, Naamã ficou comparando os rios da Cidade de Damasco na Síria, falando que eram melhores do que todas as águas de Israel. E saiu muito chateado.

Os servos da comitiva conversaram com Naamã e conseguiram convencê-lo de que o profeta não estava pedindo para fazer algo difícil, apenas se lavar para ser purificado. O capitão enfim desceu às águas do Jordão e mergulhou sete vezes, no mesmo rio onde séculos mais tarde Jesus foi batizado por João Batista. E o milagre aconteceu! Tudo conforme a palavra do homem de Deus! Naamã ficou purificado e a sua pele se tornou como de menino, macia e sem manchas. Isso o deixou maravilhado!

O ex-leproso voltou ao profeta com toda a sua comitiva e reconheceu que em toda a terra não havia Deus senão em Israel. Pediu a Eliseu que aceitasse algum presente, porém ele não aceitou. Insistiu, mas o homem de Deus se recusou a receber. Saiu em seguida e percorreu uma pequena distância. Geazi, servo de Eliseu, presenciou tudo isso e não se conformou, saiu correndo atrás de Naamã. Ao ver que se aproximava, o capitão desceu do seu carro e perguntou se estava tudo bem. Geazi respondeu que sim e mentiu dizendo que Eliseu tinha mandado fazer um pedido: disse que há pouco tinham chegado dois jovens dos filhos dos profetas da montanha de Efraim, e que lhe doasse um talento de prata e duas mudas de roupas.

Observe a sutileza desse pedido. Além de ser uma mentira, Geazi não disse se os jovens necessitavam de alguma coisa, apenas falou que chegaram há pouco. Não afirmou também como seria usado o dinheiro e as roupas que estava pedindo. Apesar disso, Naamã prontamente lhe serviu. Não apenas com um, mas com dois talentos de prata, colocados em dois sacos em razão da quantidade de peças, com duas mudas de roupas, e ainda, os colocou sobre dois dos seus servos, os quais saíram caminhando diante de Geazi. A certa altura, Geazi tomou esses objetos das mãos dos servos e os despediu, guardando em casa o que conseguiu tirar de Naamã.

Depois disso, colocou-se diante do seu senhor. Eliseu lhe perguntou donde vinha, ao que Geazi respondeu que não foi a lugar algum, mentindo de novo. O homem de Deus então lhe revelou abertamente o seu erro e as consequências: “Porventura não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou do seu carro a encontrar-te? Era a ocasião para receberes prata, e para tomares roupas, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas? Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre”. E dessa forma aconteceu, pois Geazi saiu dali leproso, branco como a neve...

E o que essa história, registrada em II Reis 5, tem a ver com os nossos dias? Tudo!

ELISEU é tipo do Obreiro sincero e temente a Deus. Trabalha com amor e simplicidade, sem qualquer apego a bens materiais, sabendo que “é grande ganho a piedade com contentamento" (I Timóteo 6.6). Não explora nem aceita recompensa pelos milagres e maravilhas que o Espírito de Deus realiza em favor das pessoas, pois cumpre bem e fielmente o que Jesus ensinou: "Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai" (Mateus 10.8).

NAAMÃ é tipo do pecador que bate a porta dos templos evangélicos, suplicando cura para os males físicos e solução para os problemas espirituais. Sabe ser agradecido e procura ocasião para retribuir os favores recebidos de Deus, dispondo-se com liberalidade a doar bens e dinheiro para as igrejas. Acaba caindo nas mãos imundas de aproveitadores da fé, de lobos cruéis que não poupam ao rebanho (Atos 20.29).
 
LEPRA representa o pecado, a transgressão dos preceitos Divinos. Produz chagas na alma do ser humano e faz separação entre nós e o Senhor. A sua maior consequência é a morte, a condenação eterna, “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 6.23), cujo sacrifício como Cordeiro de Deus pode tirar a mancha do pecado e purificar de toda iniquidade (I João 1.9).

GEAZI é tipo do mau obreiro: mentiroso, materialista e ganancioso. Não tem escrúpulo de tirar para si proveito financeiro dos milagres e maravilhas que generosamente Deus faz aos que nEle creem. Chega ao absurdo de mentir para colher dízimos, ofertas e doações, dizendo que é para ajudar em obras assistenciais e de evangelização. No entanto, se apropria ilicitamente das contribuições dos fiéis, adquirindo e incorporando ao patrimônio pessoal bens como veículos, mansões, fazendas, cavalos, gado, emissoras de rádio e televisão, dentre vários outros.

Gente dessa laia não passa de enfermo espiritual e praticante do evangelho de leprosos, pois “são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3.18-19). Apresentam-se bem vestidos e asseados exteriormente, mas na alma são leprosos, fétidos, coberto de chagas, repugnantes. Ah, se fossem abertos os olhos do discernimento?! Muitos dos seus seguidores se afastariam correndo! Buscariam o verdadeiro Evangelho das Escrituras, para não se contaminar com essa doença que espalha manchas no cristianismo, causa insensibilidade ao coração e provoca deformidades de caráter. Graças a Deus que essa peste tem cura!                                                 Adiel Teófilo