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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

EVANGELHO DA OMISSÃO

Líderes e liderados estão se omitindo diante da responsabilidade como membro do Corpo de Cristo.
A omissão é o templo sombrio da indiferença, onde muitos cristãos têm se ocultado nesse tempo do fim. Apesar de serem defensores ferrenhos do dever de congregar, a impressão é de que não se importam em contribuir para o crescimento do caráter e da conduta cristã uns dos outros, principalmente quando é necessário dizer ao próximo a verdade sobre qualquer fato.

O descaso é tão grande em determinados grupos evangélicos, que sinceramente somos compelidos a indagar: Qual é o resultado prático que as igrejas têm produzido a partir da proximidade entre os seus integrantes? Essa aproximação se resume às liturgias ou existe algum tipo de convivência que extrapola os limites do templo? Há realmente crescimento rumo à maturidade cristã ou cada um atua ao seu modo sem a visão do corpo espiritual no seu todo?

É lamentável constatar que há líderes que não dizem a verdade acerca de pecados e erros dos seus liderados. A Palavra de Deus ensina-nos que “se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com o espírito de brandura” (Gálatas 6.1). Contudo, apesar da aparência de espirituais, não usam mais a vara e o cajado para consolar as ovelhas no caminho da retidão, nem aplicam a disciplina bíblica, a exemplo das três instâncias quanto ao pecado contra irmão: repreensão individual, repreensão na presença de duas ou três testemunhas, e repreensão pela igreja (Mateus 18.15-18).

O argumento para essa lacuna é que preferem se calar a perder gente para outras igrejas. Dizem também que a legislação pátria não permite advertir uma pessoa publicamente, sob a pena de responder por dano moral e arcar com o pagamento de indenização. Então vamos omitir a orientação Bíblica?! "Aos (presbíteros) que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor" (I Timóteo 5.20). Na verdade, as restrições legais não funcionam bem assim, porquanto há tempo, modo e lugar, apropriados para tratar determinações questões que dizem respeito somente ao Corpo de Cristo. No entanto, mostram pela condescendência que são extremamente tolerantes com o pecado e não querem mesmo é melindrar os mais sensíveis nem enfrentar a dura cerviz dos obstinados.

Há também aqueles que são pouco afeitos ao pastoreio no campo, embora com recursos à disposição. Não saem pelos valados e penhascos, não sentem o odor das ovelhas nas suas aflições, não ouvem seus gemidos nem amenizam os carrapichos que lhes causam dores. São pregadores de massas, líderes de auditório e estrelas de púlpito, nada mais!

Ao contrário disso, tenho como referência o exemplo do Pastor Cirilo Teófilo, meu pai, que dedicou sua vida ao ministério pastoral. Nas igrejas que cuidou, conhecia todos pelo nome e sabia das dificuldades de cada um. Corrigia qualquer deles com firmeza e amor sempre que necessário. Presenciei inúmeras vezes ele chorando a dor das ovelhas! Não tinha carro, mas visitava e assistia cada família em suas necessidades, caminhando com dificuldade, claudicando em razão de deficiência na perna e braço direitos. Atualmente, cansado com o peso dos anos, anda com dificuldade, porém em paz com a consciência, porque de muito boa vontade se gastou e se deixou gastar pelas almas (II Coríntios 12. 15).

O que se percebe atualmente é a política do faça o que quiser, mas não saia daqui. Venha como está e permaneça como achar melhor. Vamos decretar a vitória da igreja e deixar que os desvios de conduta dos crentes Deus vai tratar. Atitudes como essas não representam a essência do amor cristão, porque "melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto" (Provérbios 27.5). Mas também a conduta pública de alguns não é mais referencial de vida cristã, o que não lhes permite exigir aquilo que não exercitam. Outros, apesar das repreensões que proferem dos púlpitos, algumas vezes com veemência, não têm a coragem de encarar a disciplina individual, tal como exemplificada nas Escrituras: “Porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe, [...] Deus vos trata como a filhos; pois, que filho há a quem o pai não corrige? Mas se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo sois bastardos, e não filhos” (Hebreus 12.6-8).

Nesse evangelho da omissão, o rebanho é conduzido a se comportar de forma semelhante. As pessoas participam dos programas da igreja, todavia muitos convivem como se não fizessem parte do corpo, alheios aos fracassos e dificuldades uns dos outros. São ensinados até a ignorar determinados problemas, principalmente quando envolve alguém da liderança. Ouse dizer alguma coisa! Logo surgem as ameaças espirituais: "Quem é você para julgar seu irmão? Ai daquele que se levanta contra o ungido do Senhor!" Será que o Profeta Samuel se levantou contra o rei Saul quando o repreendeu por agir nesciamente? (I Samuel 13.13-14 e 15.22-26). Será que o Profeta Natã se levantou contra o rei Davi quando o repreendeu pelos pecados que cometera? (II Samuel 12.9-12). Francamente, está faltando é profeta autêntico e sobrando "ungidos"! Ademais, se acreditamos que de fato somos um só Corpo em Cristo e individualmente membros uns dos outros (Romanos 12.5), devemos deixar o engano da dissimulação e falar a verdade ao próximo (Efésios 4.25), para o bem de sua própria alma!

Os indiferentes não são capazes de atuar na própria casa como protagonistas do Evangelho que promove amor fraternal, arrependimento e confissão de pecados (Tiago 5.16). São meros expectadores do bem ou do mal, por maior dano que isso cause ao Corpo de Cristo. A Palavra de Deus nos ensina que se alguém ver o seu irmão pecar deve orar e Deus lhe dará a vida, desde que o pecado não seja para morte (I João 5.16). Ensina-nos também que precisamos agir: "porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, [...] por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis" (I Tessalonicenses 5.9-11).

Ora, o Senhor Jesus não quer ninguém em cima do muro, na apatia religiosa de um evangelho mais ou menos, titubeante entre o acerto e o erro. Por esse motivo nos adverte pela revelação ao Apóstolo João no exílio: "Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda" (Apocalipse 22.11). Portanto, não sejamos mais omissos, "antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hebreus 3.13). Para que ninguém seja tentado a se acostumar com o erro alheio e o cristianismo não caminhe para baixo em círculo vicioso, mas edificando cristãos que se tornam padrão dos fiéis (I Timóteo 4.12).

E quanto aos que presidem sobre nós e nos admoestam com sinceridade? Precisamos reconhecer a importância da obra que realizam e acatá-los com apreço e amor, com grande estima e máxima consideração (I Tessalonicenses 5.12-13), "porque o mandamento é lâmpada, e a lei é luz; e as repreensões da correção são o caminho da vida" (Provérbios 6.23). Agem assim reconhecendo que o dom ministerial lhes foi dado por Jesus visando o aperfeiçoamento dos santos e a edificação do Corpo de Cristo, para não sermos mais meninos levados pelo engano dos homens (Efésios 4.10-14).

Enfim, nem todos conseguem receber a correção ou suportar a  disciplina. Assim sendo, "não repreendas o escarnecedor, para que não te odeie; repreende o sábio, e ele te amará" (Provérbios 9.8), pois “a repreensão penetra mais profundamente no prudente do que cem açoites no tolo” (Provérbios 17.10). Ciente de tudo isso acima comentado, não poderia jamais deixar de falar a verdade! Caso me calasse, seria o maioral dos omissos... E sabe qual seria a minha recompensa? "Mas, quanto aos tímidos (covardes), [...] a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte" (Apocalipse 21.8). Deus me livre da omissão!!!
Adiel Teófilo