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domingo, 10 de agosto de 2014

O PECADO E O MUNDO PÓS-MODERNO

Por Adiel Teófilo.

 
A narrativa da Bíblia Sagrada esclarece acerca da natureza e das consequências do pecado, entretanto a sociedade pós-moderna vem adotando concepções cada vez mais distorcidas acerca da realidade do pecado, bem como intensificando as práticas contrárias às Escrituras.

Apesar dessas distorções e do avanço da transgressão humana, nada é capaz de transferir para o plano da aprovação tudo o que Deus não consentiu ou proibiu expressamente. O pecado não deixou de ser toda e qualquer violação das regras e preceitos morais estabelecidos pelo Criador, para que a criatura os observasse em sua existência. Dessa forma, no pecado se enfeixam todas as ações, omissões e pensamentos, que são contrários ao caráter e à santidade do Senhor.

Deus formou todas as coisas existentes na natureza e criou o homem como sua obra-prima, à imagem e semelhança do Senhor o criou. Deu-lhe domínio sobre os animais e sobre toda a terra, contudo, por ato deliberado de desobediência do primeiro casal, quanto à ordem direta de Deus para que não tomassem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, o pecado entrou no caráter humano e daí se espalhou por toda a humanidade.

E ao longo dos séculos os homens vêm reiterando atos de transgressão, muito embora sejam confrontados com a exigência e imutabilidade dos princípios instituídos por Deus. As sucessivas revelações da vontade Divina para a conduta do ser humano tem se ampliado e intensificado ao longo da história. Iniciou no princípio com a criação, passando pela Lei Mosaica e alcançando a sua plenitude na vida e obra do Senhor Jesus Cristo. Contudo, a obstinação e inclinação para o mal tem afastado a criatura do Criador, em razão de que o pecado faz separação entre o homem e Deus, erigindo uma barreira espiritual que impede o livre acesso e a comunhão direta com o Pai Eterno.  

Esse afastamento decorre da corrupção oriunda do pecado, que degenera os valores e os desígnios do coração humano. Isso é perfeitamente comprovado através dos relatos das Sagradas Escrituras, demonstrando que apesar do amor e do cuidado de Deus nos diversos períodos da revelação, os antepassados em várias ocasiões se inclinaram a outros deuses, quando não se enveredaram pela senda tortuosa do mundanismo e da carnalidade.

Exemplo disso são as grandes destruições do passado provocadas pelo pecado. O dilúvio nos tempos de Noé, que extinguiu o mundo antigo, e o triste fim das Cidades de Sodoma e Gomorra, exterminadas com fogo e enxofre, são registros Bíblicos que testificam do alto grau da reprovação de Deus diante da maldade do pecado que se multiplicou grandemente na terra.  Esses sinais são alertas reais do quanto a santidade do Senhor abomina a transgressão, embora Ele tenha profundo amor pelo ser humano, mesmo sendo falho, limitado e inclinado para o pecado desde que assumiu a natureza decaída. 

E mesmo diante de tantos outros sinais mencionados nas Escrituras, boa parte da humanidade caminha indiferentemente ao Criador. O que se percebe nesse tempo do fim é o considerável aumento da iniquidade, mormente no atual período da história da humanidade, denominado por vários estudiosos como pós-modernidade, cujo período se iniciou com a queda do muro de Berlim, no ano de 1989.

A pós-modernidade é marcada por profundas transformações na sociedade. Ela está se tornando cada vez mais globalizada, ocasionando a derrubada das fronteiras políticas e das barreiras culturais entre os diversos países. Essa interação crescente entre os povos provoca uma sensação de que o mundo caminha no sentido inverso ao que ocorreu perante a Torre de Babel com a confusão da línguas, pois o mundo tenta reunir os povos que o próprio Deus se encarregou de espalhar. Além disso, esse período é marcado também pelos grandes avanços científicos e tecnológicos, visivelmente experimentados nas últimas décadas com a ampla disseminação do uso de aparelhos eletrônicos e de computação.  

Desse modo, a pós-modernidade descortina para os eventos apocalípticos, concorrendo para o cumprimento de importantes profecias Bíblicas. Destaca-se nesse sentido, por um lado, a grande correria de uma parte para outra, provocada pela globalização, e a multiplicação da ciência, como predito pelo Profeta Daniel, no capítulo 12; e por outro, o Sermão Profético do Senhor Jesus, registrado em Mateus 24, advertindo quanto à multiplicação da iniquidade e o esfriamento do amor em muitas pessoas. Tem-se assim o paradoxo entre o avanço da modernidade e o crescimento da maldade no coração humano.

Com efeito, a manifestação da iniquidade se amplia e diversifica na sociedade com o decorrer dos anos. Tudo conspira para se enfrentar na terra os tempos trabalhosos dos últimos dias que antecedem a volta do Senhor Jesus. O amor está mesmo escasso no coração de muitos, sufocado pelo excesso de pecado e de tudo aquilo que não convém ao Senhor, nem edifica o homem como ser moral dependente de Deus.

Dessa forma, a operação da iniquidade se dissemina em suas três vertentes, a saber: a maldade, a perversidade e a injustiça. Essas práticas podem ser designadas como o tripé da iniquidade, as quais estão alcançando níveis alarmantes na sociedade. Porquanto, a tecnologia que deveria ser usada para o bem, como as redes sociais, tornou-se em ferramenta poderosa para disseminar rapidamente comportamentos irreverentes, imorais e devassos.

Tudo isso tem a sua raiz no pecado. As guerras e conflitos sociais não cessam. A violência urbana é crescente e a insegurança ronda todas as famílias da cidade. O que se vê nos noticiários são relatos de homens cruéis, sem afeto natural, insensíveis, egoístas, avarentos, atrevidos, desobediente aos pais, traidores, mais amigos dos prazeres terrenos que amigos de Deus. A corrupção se generalizou e está infiltrada em praticamente todas as instituições, sejam civis, governamentais, políticas, judiciais e até mesmo eclesiásticas, de onde deveriam partir os melhores exemplos. As manchetes de fraudes, desvios financeiros, esquemas ilegais e tantas outras injustiças são disparadas quase que diariamente.

A impressão que isso causa em determinadas ocasiões é de que o pecado nunca foi tão amplo, tão diversificado e tão público, como se percebe na atualidade. O mau ganhou asas e o bem ficou paralisado. Chega-se ao ponto de indagar se o pecado da população nos tempos de Noé não foi menor que o cometido pela sociedade atual. E ainda, se a carnalidade da presente era não é maior que a imoralidade de Sodoma e Gomorra. Isso nos conduz ao sentimento de que qualquer castigo não é imediato por causa da infinita Graça e Misericórdia do Senhor, porém o juízo sobre toda iniquidade não tardará, chegará o dia da ira do furor de Deus. 

Essa percepção da amplitude do pecado é realçada diante de uma variada gama de pecados cometidos atualmente. Estão se tornando tão comuns em alguns casos, que não provocam mais qualquer reação contrária nas pessoas. As obras da carne imperam e não recebem a censura que precisam ter. Pelo contrário, contam com a aprovação ou a tolerância de considerável parcela da sociedade. Exemplo disso é a embriaguez resultante do chamado beber socialmente, o ficar com o sentido de sexo livre, dentre outras práticas que destroem a santidade do corpo, o qual foi destinado para ser o templo e habitação do Espírito Santo.

Nota-se ainda que essa crescente escalada do pecado em determinados grupos sociais vem contribuindo para corromper moralmente toda a sociedade. Ela está se tornando profundamente depravada e mais distante de Deus. As práticas da prostituição, adultério, divórcio, homossexualismo e toda forma de licenciosidade, estão se tornando comuns e conquistando a simpatia popular. A má influência dos meios de comunicação é muito forte nesse sentido, além das pressões provocadas pelos movimentos sociais e por lideranças políticas, que fazem do pecado uma bandeira de luta, como se fosse possível torcer os princípios e valores instituídos por Deus.  

Essa perda dos freios morais é incentivada também por novos conceitos filosóficos, tal como o relativismo, predominante na pós-modernidade. Essa doutrina considera todos os valores morais como relativos, afirmando que podem variar de acordo com a cultura e o lugar, e que não possuem fundamentos absolutos nem caráter universal. Nota-se que essa concepção afronta diretamente a Palavra de Deus, que mostra valores absolutos e universais. 

Dessa sorte, as influências filosóficas não trabalham para consolidar o que é bom e justo diante de Deus, mas atuam para tornar o mal em bem e fazer do pecado uma prática socialmente aceita e isenta de censura. É possível perceber isso quando lideranças se mobilizam visando regulamentar a prostituição como se profissão fosse, legalizar o uso recreativo do entorpecente conhecido por maconha, além de buscar a equiparação das formações de jugo homossexual com a família tradicional. Essas e outras reivindicações traduzem o declínio moral que a sociedade contemporânea está mergulhada.   

Nesse cenário de perversão, percebe-se que a prática extravagante e pública do pecado tem se mostrado como verdadeira afronta à santidade Divina. São tantos os atos deliberados de transgressão aos preceitos Bíblicos, que determinados comportamentos demonstram de forma inequívoca o mais absoluto desdém humano quanto aos juízos de Deus.

O confronto dessa realidade com os propósitos delineados nas Escrituras conduz à conclusão de que as práticas sociais da pós-modernidade tentam distanciar cada vez mais o homem de Deus. Somente a Graça revelada em Jesus Cristo e o convencimento promovido pelo Espírito Santo podem conduzir o pecador ao verdadeiro arrependimento, proporcionando-lhe a percepção do estado de declínio e a oportunidade para confessar os seus pecados. Agindo assim, o homem poderá compreender o plano redentor de Deus, que lhe concede a remissão dos pecados, a regeneração e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.