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quinta-feira, 6 de junho de 2013

CGADB, REELEIÇÃO E POLITICAGEM

Adiel Teófilo

É oportuna uma reflexão sobre a última assembleia geral da CGADB ocorrida aqui em Brasília. Transcorridos mais de dois meses, creio que os ânimos já se arrefeceram, tanto daqueles que defenderam mais uma reeleição, aos gritos: “vota no velhinho porque ele sabe o que faz”, quanto daqueles que apoiaram o seu único concorrente. 

A CGADB foi criada em 1930, aproximadamente 19 anos depois da fundação das Assembleias de Deus no Brasil. A sua principal missão era de congraçar pastores e traçar estratégias missionárias, não de intervir no funcionamento das igrejas, nem se envolver com atividades estranhas aos seus fins. Durante 58 anos de sua existência, de 1930 a 1988, a CGADB teve 17 presidentes, que se alternaram por períodos de 3 anos em média. Atuaram no sentido de cumprir as finalidades da instituição, que embora não sendo uma igreja, possui natureza religiosa, como previsto no seu próprio estatuto.

 Depois desse período a situação mudou muito. Desde 1988 a CGADB tem um único presidente, que a cada assembleia geral vem fazendo muito esforço para se manter no posto. Basta observar que nas últimas reeleições, articulações políticas internas visando a sua perpetuação na presidência, como exemplo a exclusão disciplinar do seu concorrente, acabam sendo discutidas no Poder Judiciário, para nossa vergonha, pois “o irmão vai a juízo com o irmão, e isso perante infiéis. Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros.” (I Coríntios 6.6-7).
 
O último resultado das urnas confirma o quanto tem sido acirrada essa disputa. O presidente da CGADB foi reeleito com 54,9% dos 16.410 votos válidos, contra 45,1% dos votos para o seu concorrente. A diferença entre ambos é de menos de 10% dos votos. A realidade mostra um “cabo de guerra”, aquela corda em que os concorrentes puxam para lados opostos: de um lado, o grupo que a todo custo quer se manter no poder, e de outro, líderes e pastores insatisfeitos que clamam por mudanças votando contrariamente à reeleição. Se a corda não se romper, o mais forte acaba vencendo. É esperar para ver!
 
Mas as articulações ocorrem também externamente, com envolvimento direto na política partidária. E aqui está o lado mais deprimente da disputa pelo poder! Logo após a reeleição, o presidente concedeu entrevista ao Correio Braziliense, publicada no Caderno de Política do dia 13 de abril de 2013. Os jornalistas destacaram o paradoxo entre as afirmações do presidente reeleito: “afirma ser contra a mistura de igreja e política e, paradoxalmente, defende o fortalecimento do braço parlamentar da Assembleia de Deus nas eleições de 2014”.
 
Vamos conferir alguns trechos da entrevista. Perguntado se teria uma convenção para decidir qual candidato a Assembleia de Deus irá apoiar, ele respondeu: “Com certeza. Nós nos reuniremos e iremos estudar qual será para nós o candidato mais viável. Se a eleição fosse hoje, a presidente estaria reeleita tranquilamente. Não seria nem uma eleição, é uma nomeação, uma maioria tremenda”. Ele está tão acostumado com o poder, que a convenção para escolher qual candidato apoiar sequer foi realizada, mas antecipou seu apoio para dizer que a presidente não precisa nem de eleição, "é uma nomeação". 
 
Indagado como a igreja irá se posicionar nas eleições presidenciais em 2014, quanto a temas de cunho religioso como legalização do aborto, respondeu: Nós ainda não convencionamos este assunto. Eu, pessoalmente, olho com muita simpatia o governo da nossa presidente. Ela tem se portado com uma decência muito grande”. É uma lástima que o líder da instituição que representa as Assembleias de Deus no Brasil não tenha uma posição bíblica sobre o assunto, mas se derramou em elogios por uma dirigente política, que representa um partido cujo programa não se importa em destruir valores que a igreja defende. E tantas convenções já foram realizadas para discutir sua própria reeleição! Será que durante mais de 25 anos de mandato não teve tempo suficiente para debater temas relevantes para a nação?
 
O jornalista disse sobre a existência de “quase que um braço político das igrejas evangélicas e da Assembleia de Deus atuando no Congresso...”, ao que o presidente argumentou sem qualquer escrúpulo: “Na verdade, não existe quase, existe um braço. Eu entendi que nós precisávamos ter na Câmara Federal uma representação relativamente grande da igreja. Temos interesses a serem cuidados”. Ora, que interesses são esses? Interessam apenas ao Reino de Deus?  Observe que não foi Deus quem orientou, mas ele mesmo foi quem entendeu que a igreja precisava ter representação na Câmara Federal.
 
E isso ele confirmou na entrevista concedida à Folha de São Paulo: Nós, da Assembleia de Deus, não participávamos da vida política do país. Só depois, quando eu assumi a presidência... Porque eu em janeiro agora completei 25 anos na presidência da Convenção Geral, fui reeleito nove vezes. Quando eu cheguei, com o crescimento da Assembleia de Deus, eu entendi que precisávamos colocar alguém para nos representar. E isso foi feito. Hoje temos 28 deputados federais assembleianos”.  Por favor, avisem ao presidente que o cristão não deixa de ser cidadão e participa da vida política do país por meio do voto! A missão da Assembleia de Deus como Igreja é que é outra: pregar o Evangelho! Não trabalhar para eleger políticos!
 
Esse desvirtuamento da finalidade essencial da igreja vem causando inúmeros prejuízos. O jornalista do Correio Braziliense perguntou: “Durante o processo de eleição do presidente da Assembleia (Legislativa), a deputada Antônia Lúcia (PSC-AC) afirmou ter sido apresentada à sociedade, levada a templos, durante os cultos, e que esta seria a prática da Assembleia de Deus em todo o Brasil. Isso de fato acontece?”.  E o presidente respondeu a mais pura "verdade": “Se, no estado dela, alguém procedeu assim, procedeu de maneira diferente aos costumes da Assembleia de Deus. É normal que nossos candidatos tenham seus nomes divulgados. É muito natural que ele distribua santinho, mas da porta pra fora. Agora, do púlpito, levar para apresentar, fazer política do púlpito, isso para nós é uma anomalia”.
 
É mesmo uma anomalia! Como esse mal tem se alastrado e contaminado as Assembleias de Deus. Muitos candidatos e políticos eleitos têm espaço garantido em diversos púlpitos, por mais imunda que seja a sua ficha. Até cultos e pregações da Palavra de Deus são interrompidos para dar primazia aos políticos, que fazem sim campanha eleitoral dos púlpitos e pedem voto durante cultos e reuniões de Obreiros, profanando locais consagrados e contrariando a legislação eleitoral. A própria CGADB dá o mau exemplo ao colocar políticos declaradamente não evangélicos em locais reservados aos ministros evangélicos. Parece que a anormalidade não está tão longe de quem a condena. O Senhor Jesus adverte: "Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão" (Mateus 7.5).
 
Enfim, convém refletir até onde vai essa politicagem medíocre. Será que vale a pena sacrificar os fins essenciais das entidades religiosas para atender projetos pessoais de poder? Saiba que no estatuto da CGADB (disponível em www.cgadb.com.br), não consta dentre as suas finalidades eleger representantes políticos. Aliás, o que precisa ser feito é “orientar a prática da cidadania dos seus membros”, tal como consta no art. 3º, inciso X, do estatuto. O mais é flagrante desvio de finalidade. É embaraçar as Assembleias de Deus com negócios desta vida. Afinal a Igreja do Senhor Jesus foi chamada para levar o Poder de Deus aos homens, não para conduzir homens ao poder deste mundo.