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sábado, 22 de outubro de 2011

EVANGELHO DE MERCENÁRIOS

Verdades bíblicas sobre a origem e a destinação dos dízimos.

Dar o dízimo é prática comum entre denominações cristãs em nosso país, apesar de que  segmentos tradicionais acreditam ser ordenança da Lei de Moisés, não mais subsistindo na Nova Aliança. Apontam, dentre vários fundamentos, que o dízimo não se aplica ao período da graça, porque Jesus Cristo cumpriu a Lei, e, a antiga aliança, perdurou somente até João Batista: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir" (Mateus 5.17); "A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus" (Lucas 16.16). Mas, o que a Bíblia ensina sobre a origem e a destinação dos dízimos? A forma como é praticado atualmente se amolda aos princípios da Palavra de Deus? Examinemos as Escrituras buscando aplicar o que registra sobre o assunto.


É de fato uma das ordenanças do Senhor a Moisés, para os filhos de Israel (Levítico 27.30-34). Consistia na décima parte da semente do campo e do fruto das árvores, bem como das vacas e ovelhas, apresentada anualmente como oferta ao Senhor, no tabernáculo durante a peregrinação e depois no templo em Jerusalém. Destinava-se ao sustento dos filhos da Tribo de Levi, pelo serviço que executavam na tenda da congregação e porque não tinham herança, propriedade sobre a terra, entre os filhos de Israel (Números 18.21-24).


O que se vê atualmente é muito diferente disso. “O obreiro é digno do seu salário” (I Timóteo 5.18) e deve viver do Evangelho quem o anuncia (I Coríntios 9.13-14), porém, há pastores, bispos e apóstolos, que possuem grandes patrimônios e até fortuna com dízimos, ganhando salários exagerados, carros de luxo, viagens, além de outras despesas pessoais e familiares à custa da igreja. Não raras vezes fazem tudo às ocultas, pois não mostram seus gastos e ainda intimidam o povo com ameaças espirituais, para não pedir prestação de contas. Essas atitudes revelam o quanto são “homens corruptos de entendimento e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais” (I Timóteo 6.3-10).


O dízimo era comido perante o Senhor Deus, para alegria do ofertante, de sua família, dos servos e dos levitas. Confira em Deuteronômio 12.17-18 e 14.22-26. A finalidade era proporcionar comunhão, unidade e temor do Senhor, tal como na igreja primitiva, quando estavam juntos e tinham tudo em comum, vendiam as propriedades e bens e repartiam conforme alguém tinha necessidade, partindo o pão de casa em casa e comendo juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus (Atos 2.42-47).


E hoje, em qual igreja há essa comunhão? Se alguém disser que existe será preciso ver para acreditar! A distância da igreja dos apóstolos não é apenas no tempo, mas principalmente na prática cristã. As denominações evangélicas de modo geral aplicam o dízimo em patrimônio e quase nada diretamente aos membros. Qualquer atividade fora das liturgias é cobrada dos participantes, que além de dízimos e ofertas, pagam as despesas de congressos, confraternizações, seminários, retiros e tantos outros programas religiosos e sociais. A igreja que deveria propagar o Evangelho de Jesus para todos os povos (Mateus 28.19-20), funciona mais como empresa de eventos e casa de comércio, praticando assim o evangelho de mercenários (João 10.12-13 e II Pedro 2.3).


O dízimo no terceiro ano não era levado ao tabernáculo e nem ao templo, mas recolhido dentro das portas da aldeia do ofertante. Destinava-se ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e a viúva, para que comessem e se fartassem e o Senhor Deus abençoasse o trabalho das mãos do ofertante. Examine Deuteronômio 14.28-29 e 26.12-13. Porque será que essa destinação do dízimo no terceiro ano não é ensinada nas igrejas? Isso interessa aos charlatões e mercadores da fé?


Seguindo essa orientação das Escrituras e considerando o período de três anos, um terço do dízimo deve ser aplicado pelo ofertante para atender as necessidades de obreiros, estrangeiros, órfãos e viúvas. Todavia, a prática demonstra que esse texto bíblico é omitido e o sustento aos necessitados negligenciado, apesar das recomendações de Atos 6.1-3, I Timóteo 5.3-16 e Tiago 1.27: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas necessidades, e guardar-se da corrupção do mundo".


O não cumprimento desse preceito bíblico ocasiona dupla omissão. Quem dá o dízimo pensa que já fez tudo para agradar a Deus e quem o recebe não ajuda órfãos, viúvas e muito menos estrangeiros. Cometem todos desse modo injustiça, corrompendo o direito dos necessitados: "Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva" (Deuteronômio 27.19). E a Palavra de Deus alerta: "Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo" (Salmos 68.5). "E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos" (Malaquias 3.5).


O que mais se vê em nossos dias é uma ênfase exagerada e até extorsiva na cobranca do dízimo em dinheiro, ao ponto de pedir “trízimo” (30%). Nenhum texto bíblico manda dar dízimo em dinheiro, mas fala em mantimento, provisão: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes” (Malaquias 3.10). Onde está hoje em dia o mantimento nos templos? Quem tem recebido benção tal que não tenha lugar suficiente para recolher?


Os cristãos devem compreender que Jesus não instituiu e nem proibiu o dízimo. Ao tratar desse assunto, repreendeu a falsidade dos religiosos da época, que estavam sob a antiga aliança: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas" (Mateus 23.23 e Lucas 11.42). Obviamente como judeus davam o dízimo e com o rigor de incluir dez por cento até de plantas condimentares, todavia, menosprezavam valores relevantes da Lei de Moisés, mencionados por Jesus Cristo: o juízo, a misericórdia e a fé.


É exatamente isso que acontece em nossos dias, embora vivendo sob a nova aliança mediante a graça em Cristo Jesus. Muitos se orgulham de ser dizimistas fiéis, como bem ilustra a parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18.9-14), porém, não se envergonham de praticar injustiças, relegar os necessitados e viver uma fé sem obras: "Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (Tiago 2.26)
 

Jesus não ensinou seus discípulos pedir dízimos e nem recebeu qualquer ajuda do templo ou das sinagogas. Ao enviar seus discípulos às cidades para anunciar a chegada do Reino de Deus, ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, nem pão, alforje ou dinheiro, não usassem duas túnicas e fossem calçados apenas com sandálias (Mateus 10.1-10; Marcos 6.8-11; Lucas 9.3-5, 10.4-12 e 22.35), simplicidade que em nada se parece com o requinte dos templos na atualidade. Jesus e seus discípulos foram sustentatos com a hospitalidade do povo e os donativos de alguns, tal como fizeram Maria Madalena, Joana, Suzana e muitas outras mulheres, que serviam com seus bens (Lucas 8.1-3).



Não há, porquanto, no Novo Testamento ordenança para dar dizimo. Alguns ainda tentam aplicar de maneira distorcida o caso de Ananias e Safira, no entanto, tratava-se da oferta pela venda de uma propriedade (Atos 5.1-12).  O que deve prevalecer é o amor a Deus e ao próximo (Lucas 10.27), a justiça que excede a dos fariseus (Mateus 5.20) e a doação voluntária (Atos 20.35), assim como fez Zaqueu, que resolveu dar a metade dos seus bens aos pobres (Lucas 19.2-8). Você daria? As igrejas dão aos pobres parte do seu patrimônio?


Note bem o que diz a Palavra de Deus acerca da contribuição voluntária e suas bençãos: “E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça” (II Coríntios 9.6-10). Ora, se a contribuição é conforme propôs no coração, não há limite espitulado.


Por fim, dízimo tem se tornado barganha por prosperidade e incentivo ao enriquecimento. Os templos que deveriam ser casa de oração foram feitos covil de ladrões (Mateus 21.13 e Lucas 19.46), funcionando como sucursais de arrecadação e repasse de dinheiro para os cofres da sede ou matriz. E os necessitados? Ah! O Senhor Jesus nunca se esquece deles. Ao responder o jovem rico sobre o que fazer para conseguir a vida eterna, não ordenou que levasse o dízimo ao templo, mas “Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me” (Mateus 19.21). E você, para qual fim tem apresentado os dízimos?      Adiel Teófilo

ASSISTA O VÍDEO:
O BOM PASTOR E O MERCENÁRIO