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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

EVANGELHO DA POLITICAGEM

Consequências desastrosas do envolvimento da igreja com a política.  

Há denominações evangélicas que não se envolvem com política, por absoluta convicção de que a incumbência da Igreja nunca será essa aqui na Terra. Outras, no entanto, participam ativamente, através dos seus pastores presidentes, bispos e apóstolos, os quais indicam candidatos como representantes da igreja, promovem campanha eleitoral, pedem votos ao rebanho, e ainda, celebram com esses candidatos acordos e alianças das mais diversas. Justificam tamanho envolvimento, dentre outros argumentos inconsistentes, que a Igreja, como Corpo de Cristo, não precisa ser defendida pelos homens, porém, como organização religiosa constituída de pessoas, precisa dos políticos para defendê-la e também manter diálogo com os líderes evangélicos.

         Ora, o Senhor Jesus Cristo não incumbiu a Igreja de uma missão e a organização religiosa de outra bem diferente. Não criou dualidade e nem disse ao rebanho “ide e anunciai”, e aos líderes “ide e politicai”. Não mesmo! A tarefa é uma só, embora haja distinção por questões de organização meramente humana. Ademais, os chamados “cristãos” somente estarão, de fato e de verdade, a serviço do Reino de Deus, anunciado por Jesus Cristo, quando a entidade organizada para esse fim estiver também, exclusivamente, a serviço do Mestre. Não deve, jamais, servir a dois senhores, usurpando a organização jurídica da igreja para se imiscuir em negócios desta vida, alheios ao Reino de Deus (II Timóteo 2.4).

         Sobejam razões para não misturar o Evangelho da Verdade com política na atualidade, muito embora certos líderes não queiram enxergar tais verdades. O maior exemplo vem do Senhor Jesus, durante Seu Ministério terreno. Ele não ficou de afagos com os partidários dos saduceus e dos herodianos, não estabeleceu qualquer aliança e nem fez oposição à dominação Romana, mas disse a esses e ao grupo dos escribas, fariseus e judeus, todas as verdades que deveriam ouvir. Deixou muito bem claro: “O meu Reino não é deste mundo” (João 18.36). Estabeleceu portanto a nítida distinção entre o que é de Deus e o que é de César (Lucas 20.25).

         A Constituição Federal de 1988 veda as íntimas relações entre a Igreja e o Estado. No artigo 19, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança. Todavia, contrariando o texto constitucional, há líderes que firmam aliança com políticos e governantes, apoiando-os na campanha. Depois de eleitos, o que se vê são pastores e seus familiares sendo nomeados para cargos na administração pública, além de  outras vantagens pessoais em benefício da cúpula das igrejas . É assim que tem funcionado o esquema político-eleitoral-evangélico. E tudo a pretexto de defender a entidade religiosa, que tanto precisa de “interlocutores” junto ao poder público. Francamente, quanta hipocrisia!

         Nos estatutos de muitas dessas igrejas não consta como finalidade a atividade político-partidária. Fica ainda mais evidente o desvio de finalidade da instituição, agindo a liderança não aos propósitos de servir o Reino do Senhor Jesus e divulgar o Evangelho, porém, visam atender aos seus interesses pessoais, como pastores de si mesmos (Ezequiel 34.1-10). Isso demonstra ainda o egoísmo denominacional, na medida em que uma denominação se arvora no direito de ter seu representante político exclusivo, em detrimento de várias outras denominações evangélicas, que sequer foram consultadas a respeito.

         E a usurpação prossegue! Sem qualquer autorização estatutária, nem mandato outorgado pelos membros e congregados, muitos são os dirigentes evangélicos que de forma arbitrária se julgam no direito de escolher candidatos em nome da igreja. E assim agem de forma isolada, impondo a vontade pessoal ou do grupo da liderança sobre o povo, sem sequer ouvir ou consultar o rebanho, quando na verdade deveriam cuidar, zelar e pastorear o Corpo de Cristo. Atitudes como essas ocasionam sérios constrangimentos, além de murmurações e até mesmo dissensões entre os membros (I Coríntios 1.10), pois nem sempre comungam das mesmas escolhas políticas impostas por seus dirigentes. Ora, o lugar dessas escolhas é nas urnas e não nos templos religiosos, onde deveria ser abundante a oração e súplica em favor de todas as autoridades (I Timóteo 2.1-4).

         Além de tudo isso, a igreja fica seriamente comprometida com o desempenho do candidato que apóia. Ocorrendo qualquer problema ou escândalo na sua atuação como governante ou parlamentar,  a imagem da igreja é também afetada, perdendo a credibilidade perante a opinião pública, além de ser alvo de críticas e comentários que envergonham o Evangelho. A “oração da propina” é emblemática no envolvimento de Deputados Distritais evangélicos com o escândalo de recebimento de propina, que envolveu várias autoridades no Governo do Distrito Federal. (http://www.youtube.com/watch?v=WK0dzsV9YWU ) "Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!"  (Mateus 18.7).

         Enfim, dentre tantas outras razões, a organização religiosa precisa atuar em função do Corpo de Cristo, razão única de sua existência terrena. Deve servir ao Reino de Deus e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. Não pode jamais agir como reino de acordos à parte, dissociado das necessidades dos seus membros, pois eles são "o corpo de Cristo, e seus membros em particular" (I Coríntios 12.27). Portanto, todos quantos fazem parte da igreja devem cumprir a primordial missão da Igreja de fazer discípulos em todos os lugares (Mateus 28.19 e 20). Ide e anunciai, foi o que disse Jesus Cristo. Não mandou ninguém se aproveitar do Corpo de Cristo e nem do Evangelho para fazer politicagens.        

                                                                                                Adiel Teófilo

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A VERDADE - IGREJA E POLÍTICA - Pastor MAURO ROCHA
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